Antes de sai da FPF, interventor fez uma série de mudanças nos sorteios de arbitragem

Na reta final da sua rápida passagem pela Federação Paraibana de Futebol (FPF), o interventor Flávio Boson publicou uma série de resoluções para nortear o trabalho da FPF em algumas áreas a partir de agora. Em um dos documentos, o auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) - que foi designado pela CBF para fazer uma espécie de auditoria na entidade estadual - reformulou a estrutura do funcionamento do sorteio de arbitragens das partidas. A principal novidade é que os árbitros e bandeiras não vão poder mais atuar em jogos de times das cidades nas quais residem.

De maneira prática, a maior parte do quadro atual da arbitragem paraibana não vai participar de jogos do Botafogo-PB e CSP, por exemplo, já que a maioria dos árbitros do estado mora em João Pessoa. Além disso, árbitros e auxiliares não vão poder mais participar de dois jogos seguidos de uma mesma equipe. Também não serão escalados juízes para jogos de times com quem tenham algum tipo de demanda jurídica.

A resolução que modifica a estrutura das escalas, além de vetar que árbitros apitem partidas de equipes das cidades onde moram, também dispõe sobre uma nova organização no tocante ao ato de sortear.

Agora serão colocados no globo de sorteio três bola pares e três ímpares, com as pares representando a coluna alfa e as ímpares a beta. As colunas continuarão contendo quarteto de arbitragem designados para cada jogo. Duas bolas serão sorteadas e vão ser descartadas. Apenas a terceira bola retirada do globo que vai definir quais os quartetos que vão para cada partida. A sistemática é igual a adotada pela CBF nos campeonatos nacionais.

As mudanças na organização das escalas de arbitragem acontecem porque o sorteio é um dos principais atos da federação que é alvo da Operação Cartola, realizada pela Polícia Civil e Ministério Público, que investiga supostas manipulação de resultados no futebol paraibano. De acordo com a polícia, em seus relatórios da investigação, os sorteios eram fraudados e não passavam de um mero teatro.

Ainda segundo a polícia, dirigentes de clubes do Campeonato Paraibano escolhiam os árbitros que iriam para as suas partidas, enquanto que o então presidente da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol (Ceaf-PB), José Renato - apontado pela investigação como um dos organizadores do esquema -, manipularia o sorteio a fim de atender às vontades dos diretores.

Esse foi um dos últimos atos de Flávio Boson à frente da entidade estadual. No momento, a FPF está acéfala de uma comissão de arbitragem, já que o interventor dissolveu a última, que foi nomeada por Amadeu Rodrigues.

O diretor executivo da federação, Eduardo Araújo, admitiu que a resolução vai dificultar as escalas de arbitragem dos times de João Pessoa, mas garantiu que FPF vai cumprir à risca as normas estabelecidas pelo interventor.

- Cortou árbitro locais, mas eu achei legal que regulamentou igual ao da CBF. E o que for determinado pela CBF será cumprido - garantiu o dirigente.

Os próximos sorteios para escala de arbitragem devem acontecer na 2ª divisão do Campeonato Paraibano, que está prevista para começar em setembro.

GE