Nosman aciona criminalmente Amadeu Rodrigues por organização criminosa

O presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Nosman Barreiro, acionou criminalmente o ex-mandatário da entidade, Amadeu Rodrigues, e outros quatro dirigentes do futebol paraibano, acusando-os de liderar uma organização criminosa. A ação judicial impetrada por Nosman foi motivada pela assembleia geral realizada na semana passada, na qual 12 clubes optaram pela destituição imediata do dirigente e designirama uma junta administrativa para comandar a FPF. De acordo com o documento, a convocação dessa reunião dos clubes infringe o regimento da Federação e também teve "conteúdo nocivo ao bem público, à segurança do estado e da coletividade, à ordem pública e social, à moral e aos bons costumes”.

Além de Amadeu Rodrigues, são representados na ação o presidente do Conselho Fiscal da FPF, Marcílio Braz, o ex-diretor executivo da entidade, Eduardo Araújo, o diretor de registro e transferência da FPF, Ademário Cavalcanti, e o presidente do Auto Esporte, Watteau Rodrigues. A ação foi impetrada no Juizado Especial Criminal da Capital nessa quinta-feira.

A petição de Nosman à Justiça cita a Lei de Organização Criminosa para se referir aos participantes da reunião. Segundo o artigo 1º, no inciso um, "considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional".

Na última segunda-feira, clubes que não concordam com a ascensão de Nosman ao cargo fizeram uma assembléia extraordinária no Clube Cabo Branco, com a participação de vários dirigentes paraibanos e também do secretário da CBF, Walter Feldman. Durante a reunião, os clubes participantes decidiram pela destituição do presidente e pela composição de uma Junta Administrativa formada por Eduardo Faustino e Arthur Ferreira. O ex-presidente Amadeu Rodrigues não esteve presente na reunião. E, até o momento, a junta não comunicou a Nosman que ele foi destituído.

Nosman alega que a assembleia não tem validade, já que Marcílio Braz, que foi quem convocou a reunião, não poderia fazer isso. O presidente da FPF alega na sua petição que o presidente do Conselho Fiscal fez isso "sem que a referida função exercida pelo representado lhe proporcionasse devidos poderes de representação, cujo ato só poderia ser efetivado pelo PRESIDENTE do referido órgão conforme preceitua o artigo 32 da norma Estatutária" da Federação.

O artigo 32, no qual Nosman se baseia para argumentar a ilegalidade da reunião, diz que "a presidência da Federação, constituída pelo presidente e pelo vice-presidente, que são seus administradores, é o poder que exerce as funções administrativas e executivas da entidade assessorada pela diretoria".

Segundo Nosman, a reunião teria sido feita com a intenção de lançar como candidato Eduardo Araújo, que, de acordo com ele, é um sabido aliado de Amadeu Rodrigues. No entanto, o presidente não fez nenhuma acusação direta ao ex-presidente.

Na petição, Nosman fala apenas que "resta inequivocamente evidenciado o conluio perpetrado por algumas pessoas cujos interesses são desconhecidos desta Federação, mas cujas práticas são comprovadamente reprováveis e ilegais".

GE