Globo e seus filiados querem acabar com os Campeonatos Estaduais

A TV Globo prepara saída das transmissões dos principais campeonatos estaduais em 2020. Sem o dinheiro da emissora, colapso dos torneios é questão de tempo – a rede investe cerca de R$ 197 milhões por ano em dez estaduais, incluindo Paulistão, Carioca, Mineiro e Gaúcho. Principal financiadora dos clubes com os direitos de transmissão, a Globo pede mudança radical no calendário do futebol brasileiro.

- Quero adiantar pra vocês. A partir de 2020 a Globo não financiará, não comprará, nenhum campeonato estadual. O último é o próximo (2019). A Globo não quer mais campeonatos estaduais. É deficitário. Ela quer antecipar o calendário do Brasileirão para fevereiro e vender pay-per-view e publicidade do Brasileiro -  disse Marcio Celso Petraglia, presidente do Atlético-PR, desafeto da Globo e homem forte do presidente Jair Bolsonaro para mexer na estrutura do futebol brasileiro.

-  O único estadual que ficará por um tempo, até 2022, é o Paulista. Há um contrato, não há cláusula de saída. O Carioca, Mineiro, Gaúcho, que são os quatro principais… (não serão transmitidos)  -   disse Petraglia à rádio Transamérica.

Na entrevista, o dirigente do Atlético Paranaense adiantou que não é contra os campeonatos estaduais. Sua proposta é estender os torneios durante o ano todo.

-  Não pode acabar, tem que mudar. O Estadual tem que ser feito o ano inteiro e buscar outras alternativas de financiamento. Não podemos ficar refém eternamente da TV, ao gosto do grande patrocinador do nosso futebol. Então temos que ter Estaduais o ano inteiro, porque não podemos acabar com os clubes menores. Temos 650 clubes profissionais no Brasil. Essa é a base do nosso futebol  -  ressaltou Petraglia.

Fernando Manuel Pinto, diretor de direitos esportivos do Grupo Globo, deu a sua opinião sobre os Estaduais em recente entrevista ao jornal Lance!.

-  Quando entramos nesse debate, temos que reconhecer também os pontos fortes do Estadual. Tem tradição, de fato geram jogos emblemáticos, mas da mesma maneira que tem pontos fortes, tem que ver os desafios que a manutenção acaba impondo. Se me perguntar se sou a favor do fim dos estaduais, digo que não. Não a curto ou médio prazo por questões comerciais. Defendo um reposicionamento  -  disse o executivo.

E o executivo deixou clara a preferência da Globo:

- Temos que proteger as competições nacionais, pois só elas colocam os clubes brasileiros o ano inteiro prestando atenção um no outro. Em que momento um torcedor do Rio ou de Minas vai prestar atenção em um clube do Ceará, de Santa Catarina ou até de São Paulo? Só em uma competição nacional. Durante um terço do ano, nós condenamos o torcedor a ficar prestando atenção só no seu estado. Isso é um desperdício. Só com o Brasileirão, onde todos jogam contra todos, onde prestam atenção em todos os jogos, é que você tem a atenção plena do público brasileiro com o futebol brasileiro - disse ele.

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