Trigêmeos do Treze querem fazer carreira no futebol como goleiros

A posição de goleiro é considerada uma das mais injustiçadas do futebol. É dele a responsabilidade de fechar o gol e segurar, literalmente, o resultado. Os goleiros passam de heróis a vilões em frações de segundos e, mesmo que uma bola na rede signifique falha de toda a equipe e mérito do adversário, o defensor da meta é quase que invariavelmente o mais lembrado. Além de ocupar a área onde a grama não nasce, os arqueiros são minoria. É raro ver uma criança escolher fechar o gol em vez de balançar as redes. É mais raro ainda que um raio caia três vezes no mesmo lugar. Mas na família Trevizan caiu.

Samuel, Daniel e Miguel são trigêmeos e, além de compartilharem os mesmos pais e datas de aniversário, têm em comum também a paixão pelo futebol. No entanto, diferente da grande maioria dos garotos que sonham em ser jogadores profissionais, os três escolheram a posição de goleiro na tentativa de alcançar o sonho de viver do esporte.

Aos 14 anos de idade, os meninos, que são naturais de João Pessoa, foram morar em Campina Grande há poucos meses e a primeira ação do pai, Manoel Pedro, foi a de incentivar o sonho dos filhos, procurando matriculá-los em uma escolinha de futebol para que suas três pedras preciosas sejam lapidadas. E a escolhida foi a do Treze, onde eles começam a dar os primeiros passos no futebol.

- Meu pai descobriu quando a gente era criança porque a gente tinha muito reflexo. Ele matriculou a gente na escolinha de futebol e vimos que a posição era a de goleiro - declarou Samuel Trevizan.

No Treze, Daniel Congo, preparador de goleiros da escolinha, confirmou o talento e o esforço dos trigêmeos.

- Eles tentaram entrar aqui como jogadores (de linha), mas descobriram entre eles mesmo que queriam ser goleiros. O talento é bem aprofundado, a fonte é justamente profunda e eu tenho certeza que ele vão chegar lá - avaliou Daniel Congo.

Os trigêmeos precisam dividir a mesma meta do Treze durante os treinos. Isso, para muitos, poderia acarretar uma rivalidade para jogar, mas os meninos se revezam de boa, numa clara intenção de que todos atuem e cresçam juntos.

Para seguir juntos rumo ao sonho de se tornarem goleiros profissionais, os adolescentes recebem o incentivo massivo da família. Nas arquibancadas dos treinos, o pai acompanha atento cada movimento dos trigêmeos junto ao incentivo da mãe e da irmã dos meninos.

GE