A proximidade de Michelle Ramalho com CBF abriu as portas no STJD e posteriomente na FPF

A advogada Michelle Ramalho defendeu a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em um caso no mínimo polêmico envolvendo um incidente na Copa do Nordeste. O processo teve início em 2014 após uma confusão em um jogo entre Botafogo-PB e Sport, no Almeidão, em João Pessoa.

 O estádio passava por obras, estava repleto de entulho e material de construção. Durante uma briga, esses detritos e objetos foram utilizados como armas por torcedores rivais. O mecânico Antonio Patrício, que nada tinha a ver com a briga, foi atingido por uma pedra e perdeu a visão do olho esquerdo.

De origem humilde, analfabeto e agora deficiente, Antonio não conseguiu mais arranjar emprego. E contou com a ajuda de sua esposa, Dona Salete, catadora de material reciclável, para entrar com um processo na Justiça contra os responsáveis pelo partida, entre eles, a CBF. A família pediu indenização de R$ 1 milhão.

O escritório escolhido foi o de Michele Ramalho. Durante o processo, Michele transferiu a defesa da família de Seu Antônio para seu amigo Rodolfo Gaudêncio, cujo endereço profissional era o mesmo que o dela.

Em seguida, Michele recebeu uma procuração da CBF, assinada pelo então presidente Marco Polo Del Nero, para que atuasse no mesmo caso em defesa da entidade.

Ou seja, o escritório de Michele Ramalho teria atuado para os duas partes. Tal conduta pode ser tipificada no Código Penal como Patrocínio Simultâneo, que prevê detenção e multa. A Ordem dos Advogados da Paraíba vai analisar o caso.

Por fim, Michele convenceu a família a aceitar um acordo com a CBF. Do pedido inicial de R$1 milhão de indenização, Antônio teve direito a R$50 mil, dos quais R$10 mil foram utilizados como pagamento dos honorários do escritório.

- Ela disse assim: “é melhor a senhora aceitar os 50 mil do que não receber nada. Ela achou melhor a gente entrar num acordo porque a CBF não tinha nada a ver com isso – contou Dona Salete, sobre Michele.

Além da CBF, Michele integrou o departamento jurídico do Treze, clube no qual deu seus primeiros passos no futebol. A proximidade com a CBF, sobretudo com Marco Polo Del Nero, abriu portas para a advogada na Justiça Desportiva. Em 2016, o então presidente da CBF, hoje banido pela Fifa por suspeita de corrupção, indicou Michele Ramalho para o cargo de auditora do STJD.

Paraíba Online