Entenda o complicado processo eleitoral que elegeu a advogada Michelle Ramalho para presidenta da FPF

O Natal da advogada Michele Ramalho, atual presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF), parece não ter sido tão tranquilo e feliz como ela apresenta em suas redes sociais.

É que desde domingo (23) pela manhã, quando o programa Esporte Espetacular, da Rede Globo, apresentou matéria de cerca de 10 minutos mostrando supostas irregularidades no processo eleitoral da entidade, realizado em setembro, a dirigente tem sido questionada pelos desportistas da Paraíba.

A reportagem, produzida pelos jornalistas Fred Justo e Ronald Lincoln Júnior, aponta que Michele Ramalho foi apoiada de maneira questionável e totalmente beneficiada pela Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que a fizeram vencer o pleito.

O texto diz que os “bastidores do processo eleitoral” foram “repleto de irregularidades, como fraudes documentais, compra de votos, ameaças e chantagens”.

– A campanha da dirigente começou em agosto, depois que o STJD suspendeu o então presidente da FPF, Nosman Barreiro. Ele foi punido após criticar a CBF durante uma entrevista. No dia seguinte, o Treze, time que Michele Ramalho já foi advogada, entrou com um pedido de intervenção da Federação. Poucas horas depois, o presidente do Tribunal, Paulo César Salomão Filho, acatou o pedido. Vale lembrar que Nosman Barreiro era vice-presidente e assumiu o cargo em junho, após o presidente Amadeu Rodrigues ser afastado após os desdobramentos da Operação Cartola. Houve, então, uma segunda intervenção – segue a matéria.

Que segue: “Também alijado do cargo, Nosman Barreiro contestou a medida que, em sua opinião, foi tomada em uma velocidade fora do usual para o meio jurídico. Ele fez também uma denúncia. Segundo ele, o pedido do Treze não teria sido assinado pelo então presidente do clube, Juarez Lourenço. A assinatura passou por um exame grafotécnico no Rio de Janeiro. O documento foi analisado pelo perito Marcelo Carneiro que fez avaliações semelhantes para os Tribunais de Justiça do Rio e São Paulo. A conclusão do relatório indica que a assinatura não teria saído das mãos do então presidente do clube. Lourenço, no entanto, garante que foi ele quem assinou”.

Outra incoerência, segundo a reportagem da Globo, apareceu no pedido de intervenção. É que o pedido foi protocolado no STJD sem a procuração de um advogado, algo anormal em todas as instâncias da justiça brasileira.

Ao notar a falha, o auditor do STJD, Mauro Marcelo, relator do processo, deu ao Treze prazo de cinco dias para que apresentasse a procuração do advogado. O prazo acabou, mas o clube não atendeu ao pedido do Tribunal.

Em vez de encerrar o processo, Mauro Marcelo deu um novo prazo ao Alvinegro de Campina Grande. No dia 14 de setembro, enfim, o clube encaminhou a procuração. De acordo com o advogado Manoel Peixinho, especialista em Direito Civil ouvido pelo Esporte Espetacular, a omissão do Treze deveria resultar na anulação do pedido de intervenção.

Questionado, o auditor Mauro Marcelo não quis se pronunciar sobre o caso.

O Ministério Público da Paraíba promete entrar no caso esta semana. Pelo visto, nem tão cedo o futebol paraibano sairá das páginas policiais.

Paraíba Online