quinta-feira, 19 de maio de 2016

Análise: decisão do STJD deixou o Treze de mãos atadas para recorrer

Galo não pode recorrer à Justiça Comum para tentar suspender novamente o Campeonato Paraibano, já que há uma instância julgando o caso na esfera esportiva.

A decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) na sessão desta quinta-feira foi o que de pior poderia ter acontecido para o Treze. O pedido de vistas no julgamento do recurso que pede a exclusão do Campinense do Campeonato Paraibano chegou até a ser comemorado, dentro do princípio do "que é pior é melhor".

Mas logo os galistas caíram na real. O STJD resolveu votar também uma das preliminares levantadas pela Federação Paraibana de Futebol (FPF), da intempestividade do recurso. Mais uma decisão pela metade: novo pedido de vistas quando o placar já apontava 5 a 0. E, nesse caso, a decisão seria por maioria simples - ou seja, os quatro auditores restantes não podem mais mudar o resultado da decisão.
Assim, o Campeonato Paraibano prossegue de onde foi parado, com a semifinal entre Campinense x CSP. Decisão justa, se levarmos em contas apenas os aspectos técnicos.

O Treze, claro, tem todo direito de recorrer à Justiça. Primeiro na esfera esportiva; depois, na Comum. E é aí que entra a "grande jogada" do STJD - ou, se preferirem, a maior derrota do Treze. O fato do julgamento não ter se encerrado na esfera esportiva impede o Treze de fazer qualquer movimento na Justiça Comum. E, como um novo julgamento no STJD só deve acontecer em quinze dias, e olhe lá, o Galo corre o risco de acompanhar a final do Paraibano de mãos atadas.

A última cartada dos advogados do clube, já sem tanta convicção, é apelar para o "bom senso" da Federação e pedir para não marcar o jogo Campinense x CSP sob alegação que a partida poderia ser anulada em caso de reviravolta no próximo julgamento do STJD.

E o STJD, que nunca escondeu de ninguém que não morre de amores pelo Treze, terá a grande oportunidade de se vingar de 2012, quando amargou uma de suas mais vexatórias derrotas, ao engolir o Galo jogando a Série C após ter entrado com um recurso na Justiça Comum. Se o fizer agora, corre sério risco de ser banido do futebol - algo que os bravos auditores gostariam de ter feito há quatro anos.

Se foi orquestrada ou não, a decisão desta quarta-feira foi crucial para o futuro do Treze. Que já vinha acompanhando uma debandada de jogadores. E que agora deve virar literalmente "terra devastada" pelos próximos dois anos - a não ser, e vejam que ironia, se o Campinense e o outro clube paraibano (CSP ou Sousa) conseguirem o acesso para a Série C e assim abrir nova vaga para a Paraíba na quarta divisão.

É a tal coisa: depois de perder no campo e no tapetão, ainda ter que torcer para o sucesso do maior rival? Aí, meu amigo, é dose para elefante!

Com globoesporte.com